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SUSTENTABILIDADE

Gestão estratégica SST em empresas terceirizadas

29/04/2013

Os tempos, na terceirização de serviços, são outros. A terceirização de mão-de-obra vem sendo muito utilizada no mercado brasileiro, pois segundo dados do Ministério do Trabalho, os números de trabalhadores terceirizados ultrapassam a casa dos dois milhões. Diante deste cenário, este segmento que outrora não tinha expressividade no meio acadêmico, nos fóruns de debate sobre administração e na pauta dos consultores de gestão corporativa, hoje encontra respaldo e discussão em eventos voltados para a gestão estratégica de empresas.
A aplicação de conceitos voltados para o planejamento e acompanhamento das ações propostas, como SLA (do inglês Service Level Agreement), Lean Office (Sistema de Produção Toyota aplicado em escritórios), sistemas de gestão certificáveis (séries ISO9000 e ISO 14000) têm buscado, cada vez mais a análise preliminar detalhada das condições do ambiente e das condições do empregado no cumprimento da atividade contratada, visando, especificamente, a qualidade, a produtividade e a segurança durante o serviço a ser executado.
A gestão estratégica na segurança do trabalho vai ao encontro dessa onda de bons resultados e já apresenta e desenvolve uma estrutura funcional confiável e eficiente, com visão sistêmica do negócio e direcionamento correto dos recursos de maneira planejada e estratégica. A legislação em Santa Catarina já prevê que órgãos públicos e empresas licitadas pelos municípios capacitem seus empregados sobre a utilização correta de equipamentos e as medidas que devem ser adotadas em ambiente de trabalho para minimizar os riscos de acidentes. A empresa privada que não disponibilizar o ensino permanente dos colaboradores não poderá concorrer às licitações.
Empresas de destaque, como o Grupo Orcali, com mais de 8.000 empregados trabalhando em Santa Catarina, há tempos identificam e exploram a relação entre a gestão e a ação ergonômica em relação à incidência de afastamentos no ambiente de trabalho e demais agravos à saúde do trabalhador, buscando referenciais que utilizam a prática da prevenção como fonte de crescimento humano e empresarial, e desta forma auxiliar no surgimento uma filosofia de preservação da saúde nas organizações.
Essa necessidade por resultados construtivos (efetividade) na saúde e segurança do trabalho surgiu em razão da modificação da dinâmica comercial ao longo dos tempos, em que a ênfase passou a ser o mercado, o qual passou a ditar as suas próprias necessidades e, assim, delimitar as ações e o foco das empresas. Tal fenômeno obriga as empresas a adotarem uma abordagem sistêmica de gestão para definição de suas próprias ações, havendo necessidade de coerente diagnóstico do que acontece e possa acontecer nos seus ambientes imediato e mediato para promover um efetivo planejamento, sob pena de não sobreviverem caso não haja um alinhamento dos seus processos aos requisitos de mercado.
Neste aspecto, torna-se essencial que as empresas de prestação de serviço definam claramente quais suas propensas ações em Saúde e Segurança no Trabalho (SST), norteadas pela formulação dinâmica de suas bases conceituais (missão, visão, princípios, políticas e diretrizes), uma vez que não existem organizações sem pessoas e, indubitavelmente, o desempenho de uma organização depende da contribuição dessas pessoas, dentro do ambiente de trabalho que lhes é oferecido.
No setor de serviços, como não poderíamos deixar de enfatizar, este desafio é premente, pois a demanda de mercado na atualidade requer a evolução dos meios e das parcerias estratégicas, de modo a fugir de modelos embasados na “Teoria Clássica”. Isto porque, embora as atividades operacionais sejam executadas normalmente por trabalhadores com frágil escolaridade e capacitação, com pouca valorização sob a ótica do negócio, são estes indivíduos que possuem necessidades também de mercado, pois dele são oriundos. E como o mercado requer novos meios de gestão, cabe às organizações buscarem a necessária adaptação ao mesmo, pois do contrário haverá as crises de crescimento das próprias empresas de mão-de-obra.

Roberto Luís de Figueiredo dos Santos Júnior, Dr.
Assessor da Direção Geral 


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